Apenas uma obra de mobilidade urbana na cidade de São Paulo consta na Matriz de Responsabilidade da Copa, assinada em janeiro de 2010 por União, Estados e cidades-sedes como compromisso assumido para o Mundial de futebol de 2014. Trata-se da Linha 17-Ouro do metrô, um monotrilho que fará a ligação do aeroporto de Congonhas com a rede metroferroviária, de custo previsto em R$ 3,1 bilhões. A obra, porém, que deveria ter começado em junho deste ano, ainda não saiu do papel.
Quando 2011 começou, o Ministério do Esporte divulgou um relatório de acompanhamento das obras da Copa. Nele estava escrito que a situação do monotrilho paulista era “adequada”. Dizia também que as obras teriam início em junho do mesmo ano e que estariam concluídas em março de 2013. Nada disso aconteceu ou vai acontecer.

A tempo para a Copa do Mundo, apenas pouco mais de um terço da linha, ou 7,7 quilômetros dos 17,7 quilômetros previstos, estarão prontos. Isso levando em consideração a previsão atual do governo paulista, que já é a terceira desde janeiro de 2010. Cada mudança é o anúncio de um novo atraso.
Quando o Estado assinou o compromisso constante da Matriz, a previsão era entregar a obra toda antes da Copa do Mundo. Para tanto, o governo paulista obteve um financiamento de R$ 1,1 bilhão da Caixa Econômica Federal. O valor já está disponível. Já a contrapartida do Estado de São Paulo, de acordo com alteração publicada no Diário Oficial da União do dia 9 de novembro, caiu de R$ 2,02 bilhões para R$ 799,5 milhões.
A justificativa da Secretaria de Estado de Transportes Metropolitanos é a de que, com a escolha do estádio em construção do Corinthians para sediar a Copa, na Zona Leste da cidade, a conclusão de todo o monotrilho até 2014 deixou de ser prioridade, já que a ideia de construir a linha toda até 2014 só fazia sentido quando o estádio previsto para receber os jogos do Mundial era o Morumbi, destino final da linha.
Com a mudança de estádio, o governo deixou para concluir a obra só em 2016, e só depois da Copa investirá todos os recursos outrora prometidos.
Mas, para tudo isso acontecer, as obras precisam começar. No último dia 16, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou os projetos de lei 464/2011 e 475/2011, que abrem espaço viário urbano para a implantação do sistema. Os projetos estipulam planos de melhoramentos nos distritos de Morumbi e Paraisópolis, na Zona Sul da capital paulista.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), assinou no final de julho o contrato para início da construção do monotrilho. Na assinatura, o Estado já trabalhava com prazos diferentes dos iniciais. O governador prometia entregar o primeiro e o segundo trecho até meados de 2014. O terceiro trecho tinha previsão de entrega para meados de 2015.